Avançar para o conteúdo

comparação de indicadores neonatais entre partos na água e partos em terra

Um estudo prospetivo realizado numa maternidade pública australiana entre 2019 e 2020 analisou indicadores de saúde maternos e neonatais para 1665 mulheres que tiveram um parto vaginal nessa instituição.

Para análise, os grupos foram definidos da seguinte forma:

I. Trabalho de parto e parto em terra (sem utilização da água) – TPTerra (n=1265)

II. Imersão em água durante o trabalho de parto, mas não no parto/nascimento – ImersãoATP (n=243)

III. Trabalho de parto e parto na água – PÁgua (n=157)

 

Devido à natureza da intervenção, foram as mulheres que se auto propuseram para integrar cada um dos grupos, que pode criar viés de seleção. Um estudo randomizado reduziria a probabilidade de enviesamento, mas seria indiscutivelmente antiético eliminar a possibilidade de escolha das relativamente às opções de conforto e analgesia durante o seu trabalho de parto e parto.

Em cada um dos três grupos as mulheres foram assistidas por enfermeiras especialistas em saúde materna e obstétrica/parteiras, de acordo com o midwifery model of care, com um rácio de um para um.

As taxas de períneo íntegro, as taxas de lacerações de III e IV graus e as taxas de hemorragia pós-parto não mostraram diferenças significativas entre grupos.  No entanto, os partos/nascimentos na água apresentaram diferenças estatisticamente significativas nos restantes indicadores de saúde, com:

  • Taxas significativamente mais baixas de admissão dos recém-nascidos em unidades de cuidados intensivos (TPTERRA 11,23%; ImersãoATP 10,19%, PÁgua 5,35%). No entanto, uma sub-análise, removendo os partos instrumentados e os partos com analgesia epidural, não mostrou nenhuma associação significativa entre a admissão em unidades de cuidados intensivos e os diferentes grupos em estudo. Nenhum bebé necessitou de internamento por inalação de água ou quase afogamento.
  • Menos probabilidade de admissão na em unidades de cuidados intensivos por suspeita de infeção, tendo, portanto, menor probabilidade de necessidade de tratamento antibiótico (TPTERRA 6.17, 5 % > ImersãoATP 1%  > PÁgua 2.06%).
  • Menos probabilidade de pedido de analgesia epidural (TPTERRA 38,6% > ImersãoATP 21%). PÁgua removidos desta análise pois epidural é uma contraindicação para o nascimento na água nesta instituição.
  • Menos probabilidade de febre materna intraparto, provavelmente associada à redução da administração de analgesia epidural.

 

Este estudo reforça a segurança da ImersãoATP e do PÁgua e é o primeiro a não excluir parturientes com critérios para monitorização contínua da frequência cardíaca fetal. A procura de acesso formas não farmacológicas de conforto e alívio da dor continua a aumentar e os profissionais de saúde devem ser flexíveis e proactivos para satisfazer estas exigências.  Os autores recomendam, com base nos resultados obtidos, que se aumente o acesso à utilização da água durante o trabalho de parto e parto, incluindo para parturientes com critérios para monitorização contínua da frequência cardíaca fetal.

Podes consultar o artigo na íntegra aqui.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

four × one =