As adições manifestam-se quando um comportamento repetido passa a ocupar o centro da vida, persistindo independentemente das consequências negativas para o próprio e para os outros. A questão mais relevante não é a intensidade ou frequência, mas o impacto na saúde física e mental, nas relações interpessoais e no trabalho.
Existem diferentes tipos de comportamentos aditivos e dependências, tais como as adições a substâncias (álcool, tabaco e outras drogas) ao jogo, a comida, a trabalho, a compras, a pornografia, a ecrãs, a relações marcadas pela dependência emocional, entre outros.

Depender de algo engloba:
– Envolvimento compulsivo com um comportamento;
– Perda de controlo: persistência ou recaída no ato, apesar dos danos;
– Desejo insaciável, irritabilidade, ansiedade ou sintomas físicos quando o comportamento não pode ser imediatamente executado.
Com o tempo pode verificar-se um aumento da tolerância: precisar de aumentar a dose, a frequência ou intensidade para alcançar o mesmo efeito.
Poderá pensar-se que a questão das dependências tem sobretudo a ver com falta de autocontrolo e de força de vontade. No entanto, esta leitura é limitada, superficial e, muitas vezes, injusta. A adição é um fenómeno complexo e multideterminado, que tem de ser enquadrado na realidade única de cada pessoa.
Hoje compreende-se que a adição constitui, frequentemente, uma tentativa de lidar com a dor mental. Por detrás de uma dependência, pode existir um sofrimento emocional significativo, nem sempre consciente.
Numa tentativa de encontrar alívio imediato para uma tensão interna insuportável, a pessoa recorre a algo que promete satisfação, mas o alívio é apenas temporário. Há uma ânsia de satisfação que esconde um vazio profundo e uma dificuldade em tolerar a espera. Com o tempo, o que ajuda a aguentar começa a aprisionar, gerando alienação, vergonha, isolamento e perda de liberdade.
Se sente que perdeu o equilíbrio na relação com uma substância ou com um comportamento, procurar ajuda poderá ser um passo importante.
Na UTERUS abordamos as adições sob uma lente respeitadora, sensível e rigorosa. Não partimos do julgamento, mas da compreensão. A terapia constitui um contexto seguro para olhar além do comportamento, explorando os padrões que se repetem e desenvolvendo recursos para lidar com a vida. Um processo terapêutico poderá ajudar a recuperar clareza, autonomia e uma relação mais livre consigo próprio e com o que o rodeia.