Avançar para o conteúdo

O Desmame: Distinguir, Acompanhar e Informar Respeitosamente | 2ª edição

Abordagem clínica Integrada e emocional do fim da amamentação, sobe uma perspetiva PNEI e respeitando princípios éticos e deontológicos

Formadora: Conceição Santa-Martha, EESMO e IBCLC
Data: 24 de novembro 2026, das 9h00 às 18h00
Local: Hotel da Música, Porto
Formação Certificada pela DGERT

desmame site

 

si%CC%81mbolo dgert entidadeformadora certificada
GRUPO ALVO

Profissionais da área da saúde e consultores de lactação (IBCLC).

Pré-requisito: Ter realizado um curso base de Aconselhamento em Aleitamento Materno de pelo menos 20h (é necessário o envio de um comprovativo destas horas de formação aquando da inscrição).

 

FORMADORA

Conceição Santa-Martha – Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica e Consultora de Lactação_IBCLC

 

FINALIDADE

Capacitar os formandos para acompanhar o processo de desmame de forma fisiologicamente informada, clinicamente segura e emocionalmente competente – distinguindo o desmame verdadeiro do falso desmame, reconhecendo o que é expectável na espécie humana, e apoiando a decisão da mulher/bebé sem a substituir, compreendendo e incluído as situações em que o fim da lactação decorre da morte do bebé.

 

METODOLOGIA
  • Este curso convida todos os formandos a participarem ativamente no processo de aprendizagem.
  • Os formandos devem vir preparados para serem pessoalmente envolvidos.
  • Sessões teóricas alternam com trabalho em pequenos grupos, estudos de caso e momentos de reflexão.
  • Construção de plano de desmame individualizado em sala, a partir de casos reais.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
  • Definir desmame com rigor e distingui-lo da diversificação alimentar, do falso desmame e da “greve” de mama.
  • Compreender o que é fisiológico e expectável na espécie humana quanto à duração da lactação/amamentação, e distinguir norma biológica de norma cultural.
  • Compreender a fisiologia da involução mamária e a cronologia do processo.
  • Ser capaz de reconhecer o falso desmame – greve de mama, redução fisiológica de mamadas e perceção materna de perda de leite – e intervir adequadamente.
  • Identificar causas evitáveis de desmame precoce, incluindo as de origem iatrogénica.
  • Ser capaz de construir um plano de desmame individualizado e faseado por idade.
  • Ser capaz de consultar fontes de evidência sobre fármacos e amamentação, evitando desmames desnecessários.
  • Ser capaz de prevenir e acompanhar as complicações mamárias associadas ao desmame.
  • Ser capaz de acompanhar a lactação em contexto de morte fetal, perinatal ou neonatal, informando atempadamente e apresentando as opções disponíveis sem as impor.
  • Ser capaz de diferenciar situações de stress e distress associadas ao fim da amamentação e reconhecer alterações do humor no período pós-desmame.
  • Ser capaz de aplicar técnicas de escuta ativa e decisão partilhada no aconselhamento sobre desmame.
  • Reconhecer as forças e os limites de atuação individual e identificar critérios de referenciação.

 

PROGRAMA

1. O Conceito de Desmame

  • Clarificação terminológica. Em Portugal, “desmame” é frequentemente usado como sinónimo de introdução da alimentação complementar — uso incorreto, clinicamente confuso e com consequências práticas.
  • Diversificação / alimentação complementar = introdução de outros alimentos, mantendo a amamentação
  • Desmame = processo de cessação do aleitamento materno, do início da redução até à última mamada
  • Falso desmame = alteração transitória e reversível do padrão de mamadas, ou da perceção materna, erradamente interpretada como fim da amamentação
  • O desmame como processo, não como evento – tem início, duração e fim; é reversível numa parte substancial do seu curso e não se decide num dia
  • Tipologia
  • O que não é desmame – “greve” de mama; redução fisiológica de mamadas por maior eficiência; distração do lactente; “aversão” materna transitória

2. O que é Fisiológico e Expectável na Espécie Humana

  • A duração da lactação como característica de espécie – porque a pergunta “até quando é normal amamentar” tem resposta biológica, e não apenas cultural
  • Critérios comparativos em primatas
  • Dados transculturais – medianas de desmame em sociedades sem acesso a substitutos; o que a variabilidade cultural mostra, e o que não mostra
  • Maturação imunológica da criança – cronologia da produção própria de IgA imunocompetência progressiva ao longo dos primeiros anos; o que o leite humano continua a fornecer
  • Valor nutricional na amamentação prolongadaDesmontar: “depois do ano o leite já não alimenta”
  • Norma biológica vs. norma cultural – porque confundi-las é iatrogénico; o desconforto social com a amamentação prolongada e a sua tradução em conselho clínico; como responder a “não está na hora de parar?”
  • Enquadramento normativo – OMS/UNICEF; AAP (2022); DGS e PNSIJ

3. Fisiologia da Involução Mamária

  • Da lactogénese III (Galactopoese) à involução – o que se inverte FIL e a regulação autócrina: porque espaçar mamadas reduz a produção mais eficazmente do que encurtá-las
  • As duas fases da involução – fase reversível e fase irreversível de remodelação, com apoptose e substituição por tecido adiposo
  • Cronologia: involução completa em cerca de 6 semanas; regresso ao estado não lactante em aproximadamente, 40 dias
  • Fenómeno normal:  Expressão residual de leite até 12–18 meses após a última mamada
  • Composição do leite na fase de desmame

4. Determinantes do Desmame Precoce

  • Realidade portuguesa – iniciação quase universal e queda acentuada nas primeiras semanas; lacuna de dados nacionais para além dos 6–12 meses
  • Motivos declarados vs. motivos reais – dificuldades de pega, perceção de leite insuficiente, dor, cansaço, regresso ao trabalho, ausência de apoio
  • A maioria é resolúvel com apoio qualificado precoce: o desmame precoce é sobretudo um desfecho de falha de suporte, não uma escolha
  • Iatrogenia profissional – inventário das causas de desmame criadas por profissionais de saúde
  • Falso desmame
  • Conceito e dois eixos – do bebé (greve de mama, recusa neonatal precoce, redução fisiológica) e da mãe (“o meu leite secou”: mama mole, ausência de gotejamento, perda da sensação de descida, volume da bomba)
  • A espiral do falso desmame – perceção de pouco leite → suplemento → menos remoção → queda real da produção → confirmação da crença. O erro cria o facto.
  • Diagnóstico diferencial
  • Fases “críticas” do desenvolvimento (0–36 meses) –  Etapas de crescimento:  a “crise dos 3 meses” e a passagem à regulação autócrina; distração dos 4–8 meses; erupção dentária; “reverse cycling”; pico de mobilidade e ansiedade de separação; dentada e reação de sobressalto materna
  • Comportamento habitual do bebé e da mãe – as frases típicas e a sua tradução clínica
  • Conduta – avaliação (fraldas, peso, boca, otoscopia, história); protocolo da greve de mama; guião de antecipação a dar às 4–6 semanas
  • Sinais fiáveis vs. sinais de que nada indicam

5. Estratégias de Desmame por Faixa Etária

  • Princípios transversais – gradual, guiado, gentil
  • Desmame conduzido pela criança – sinais de prontidão; cronologia realista; “não oferecer, não recusar”
  • Abordagem e substituição por faixa etária – menos de 6 meses; 6 a 12 meses; 12 a 24 meses; mais de 24 meses, com o substituto lácteo adequado a cada uma e os micronutrientes em risco
  • Desmame noturno – distinguir de desmame e de “dormir a noite toda”;  idade adequada; abordagens documentadas; papel do segundo cuidador; cáries e amamentação noturna: o que a evidência sustenta
  • Construção do plano individualizado – mapa das 24 horas, ordem de retirada, substitutos, plano de conforto mamário, sinais de alarme, data de reavaliação Exercício em sala: construir um plano a partir de um caso real.

6. Quando o Desmame é Precipitado mas NÃO é Necessário

  • Fármacos e amamentação –  Porque o RCM ((Resumo das Características do Medicamento) não é fonte adequada; e-lactancia e LactMed em consulta, ao vivo; as poucas contraindicações reais.
  • Os desmames desnecessários mais frequentes – anestesia geral, imagiologia com contraste, cintigrafia, tratamento dentário, doença materna aguda
  • Doença materna, nova gravidez e amamentação em tandem e regresso ao trabalho – alternativas ao desmame

7. Gestão Clínica do Desmame

  • Espetro da mastite no desmame – o desmame abrupto como fator de risco major; enquadramento pelo ABM Clinical Protocol #36 (2022): frio, AINE, drenagem linfática suave, não escalar extrações, nunca massagem com fricção
  • Ingurgitamento – extração de alívio, nunca completa; o que não fazer
  • Supressão farmacológica da lactação – indicações legítimas, posologia, contraindicações, e por que razão não deve ser automática
  • Cuidados mamários pós-desmame e sinais de alarme – secreção residual normal; nódulo persistente: nunca atribuir à lactação sem investigar; galactorreia tardia
  • Critérios de referenciação

8. Lactação e Desmame em Contexto de Morte Fetal, Perinatal ou Neonatal

  • A lactação instala-se independentemente do desfecho
  • A falha de cuidado mais frequente e mais evitável: não informar. A mulher deve saber, ainda no internamento e antes da alta, se vai e quando vai ter leite. Descobrir sozinha em casa, é um segundo trauma inteiramente evitável.
  • Apresentar as três opções – sem impor nenhuma
    Supressão farmacológica – opção legítima e clinicamente adequada neste contexto; posologia, contraindicações e efeitos adversos; decisão informada, não automática; vigilância acrescida do humor
    Supressão gradual não farmacológica e o que não fazer
    Doação a banco de leite humano – para muitas mulheres tem valor reparador significativo; requisitos e circuito em Portugal; nunca apresentada como obrigação nem como forma de “dar sentido” à perda
  • Gestão física – ingurgitamento, alívio, prevenção da mastite, duração esperada do processo
  • Dimensão emocional – o leite como presença corporal do bebé ausente; a ambivalência: para umas mulheres há urgência em suprimir, para outras o fim da produção é uma segunda perda, respeitar o ritmo de cada uma
  • Linguagem e comunicação – o que dizer e o que evitar; nomear o bebé se a mãe o nomeia; não antecipar o significado que a mulher atribui ao seu leite
  • Diferenças conforme o momento da perda – perda gestacional tardia; morte fetal; morte neonatal e a mulher que amamentava um filho mais velho: o tandem interrompido, manter ou não
  • Referenciação – luto perinatal; saúde mental perinatal e associações de apoio em Portugal

9. Dimensão Emocional e Saúde Mental no Desmame

  • A queda hormonal do desmame – prolactina, ocitocina, estrogénio, progesterona e alopregnanolona, eixo HPA
  • Estado da evidência, com rigor –  o que está documentado (a cessação prediz aumento de sintomas ansiosos e depressivos; o maior risco está em quem planeava amamentar e não conseguiu) e o que não está (a “depressão pós-desmame” não é entidade nosológica reconhecida)
  • Stress e distress no fim da amamentação – ambivalência e alívio como experiência normal; luto; sensação de perda e de desconexão
  • Fenómenos distintos a não confundir – D-MER; aversão à amamentação; disforia pós-desmame: sinalização e referenciação em saúde mental perinatal

10. Limites de Atuação, Referenciação e Estudos de Caso

  • Do aconselhamento diretivo à decisão partilhada – proteger a amamentação e apoiar quem decide desmamar não são posições contraditórias
  • As frases a eliminar do vocabulário clínico e as que as substituem
  • Forças e limites de atuação
  • Fluxograma de referenciação
  • Recursos na comunidade
  • Estudos de caso – em pequenos grupos, com grelha comum: o que perguntar; o que observar; hipótese e alternativas; plano em 3 passos; o que NÃO fazer; limite de atuação e referenciação
  • Momento de avaliação

 

OUTRAS INFORMAÇÕES

Material de apoio: manual impresso.

A Formação em Aleitamento Materno é uma aquisição de competências para as atividades profissionais e não um grau académico ou uma profissão distinta.

Com o Apoio de: Associação Portuguesa dos Consultores de Lactação Certificados (IBCLC)

IBCLC

 

INSCRIÇÕES

Investimento: 300€ (a realizar no momento da inscrição) | IBAN PT50 0010 0000 63644990001 47 (Banco BPI)

PACK 2 CURSOS: 540€ (Curso “O Desmame: Distinguir, Acompanhar e Informar Respeitosamente” + Curso “Indução da Lactação e Relactação“).

O número de vagas é limitado. A inscrição só será validada após pagamento e envio do respetivo comprovativo de transferência, do comprovativo de pelo menos 20h de formação na área do Aconselhamento em Aleitamento Materno e da ficha de inscrição para [email protected]
O pagamento faseado só garante a reserva de vaga após o envio de comprovativo da primeira prestação.

Em caso de desistência, o valor pago apenas é reembolsável caso o formando garanta a inscrição de outro participante no seu lugar.
A organização reserva-se o direito de não realizar a formação caso não atinja o número mínimo de participantes. Neste caso, proceder-se-á à devolução dos pagamentos realizados até à data.